Uma das coisas que mais gosto de fazer é fumar um charuto pensando no problema dos meus clientes. É quase cinematográfico, eu sei. Ainda mais se você adicionar o som do jazz de Miles Davis (meu preferido) e uma taça de um vinho espanhol...
Pensar no problema dos outros é um desafio intelectual. É como um quebra-cabeça, às vezes. Preciso encontrar o arranjo harmônico das peças para ajudar outras pessoas. Quando falta alguma peça, preciso ter o insight que vai apontar onde está a solução. Fico preenchido pelo problema dos outros.
Também é um desafio emocional, pois não raro fico pressionado, querendo achar a saída do labirinto. Sinto-me parte do grupo que está tentando achar a saída. Estamos num labirinto. Há monstros lá dentro. Há perigo, riscos. Um negócio não é brincadeira, é coisa séria. E me junto aos meus clientes para levar o empreendimento adiante.
Ocupar-se dos problemas dos outros é um gesto deveras altruísta, generoso. Quando nos dedicamos a ajudar, a ser útil para outras pessoas, ganhamos a energia extra para lidar com as circunstâncias. Do contrário, voltado para o próprio umbigo, fechamo-nos, constrangemo-nos em nossa insignificância dentro de um universo tão espaçoso. Nosso valor está mais em sermos para os outros do que em sermos para nós mesmos.
E se você pensa que não há altruísmo nenhum, somente profissionalismo. Tudo bem. Eu até aceito ser criticado pelo meu exagerado profissionalismo. (Mas isso não quita meu sonho de imaginar-me ao lado de outras lideranças, ajudando a solucionar seus problemas).
----
Dedicar-se ao problema alheio deixa a vida mais leve. Os seus próprios ficam menores, menos importantes. Ajudar outras pessoas é ajudar a si mesmo.
Cada um com seus problemas... Os mais felizes, com muitos problemas dos outros.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Serving is Selling is Serving
David Maister, o guru dos serviços profissionais, diz que vender e atender o cliente são a mesma coisa.
Interessante o ponto de vista para muito de nós, profissionais do conhecimento, que muitas vezes não nos sentimos à vontade com a ideia de ter de vender a nós mesmos. Por mais que se diga que não é vender a si mesmo, mas as suas competências, é comum o desconforto no processo de desenvolvimento de novos clientes...
No seu livro "The Trusted Advisor" (algo como "o conselheiro de confiança") o autor afirma que quando queremos vender nossos serviços, precisamos oferecer uma espécie de amostra grátis ou test drive. Uma vez que o cliente experimente um pouco do trabalho, vai querer contratar. Da mesma forma, quando estamos atendendo o cliente durante um contrato, prestando o melhor serviço que pudermos, estamos simultaneamente fazendo marketing e despertando o interesse do cliente por novas contratações. Para Maister, serving is selling is serving (atender é vender é atender).
----
E lembre-se que "to serve", numa tradução literal, é servir. E servir é uma virtude toda especial quando tem a conotação de ajudar, ser útil para outras pessoas, fazer algo bom. Daí poderíamos até parodiar dizendo que ajudar é vender é ajudar.
Interessante o ponto de vista para muito de nós, profissionais do conhecimento, que muitas vezes não nos sentimos à vontade com a ideia de ter de vender a nós mesmos. Por mais que se diga que não é vender a si mesmo, mas as suas competências, é comum o desconforto no processo de desenvolvimento de novos clientes...
No seu livro "The Trusted Advisor" (algo como "o conselheiro de confiança") o autor afirma que quando queremos vender nossos serviços, precisamos oferecer uma espécie de amostra grátis ou test drive. Uma vez que o cliente experimente um pouco do trabalho, vai querer contratar. Da mesma forma, quando estamos atendendo o cliente durante um contrato, prestando o melhor serviço que pudermos, estamos simultaneamente fazendo marketing e despertando o interesse do cliente por novas contratações. Para Maister, serving is selling is serving (atender é vender é atender).
----
E lembre-se que "to serve", numa tradução literal, é servir. E servir é uma virtude toda especial quando tem a conotação de ajudar, ser útil para outras pessoas, fazer algo bom. Daí poderíamos até parodiar dizendo que ajudar é vender é ajudar.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Resistir. Ao quê?
Sempre aprendi dos meus instrutores de artes marciais que resistir às adversidades é uma das principais virtudes de um homem virtuoso. Assim, inspiro-me constantemente com as histórias de Leônidas e os 300 espartanos que resistiram aos persas; do imperador Marco Aurélio que sustentou as fronteiras de Roma; de Giordano Bruno que se manteve lúcido após ser preso pela inquisição; de Nelson Mandela, por sustentar o princípio de fraternidade quando poderia se vingar após tantos anos de Apartheid na África do Sul. Homens de valor. Todos resistiram às circunstâncias com hombridade.
Mas não é verdade que às vezes a virtude está em não se submeter? A aceitação das provações é tão gloriosa quanto a não aceitação de injustiças. E não seria uma injustiça permanecer em condições que não conferem com o que diz nosso coração? Há momentos em que intuímos que não devemos ficar onde estamos.É ou não é, que durante a vida uma voz interna às vezes sugere mudança?
Neste caso, acho que a fortaleza interior está mais relacionada à capacidade de decidir-se por mudar. E aceitar, claro, todas as consequências que podem vir daí... O compromisso tem de ser total.
Para mudar, é preciso grande força para resistir às tentações da acomodação, ao medo que leva à postergar, ao apego pelo passado. Resistir é, também, escolher quais adversidades enfrentar. Não podemos confundir a capacidade de sustentar uma posição com firmeza com a inércia, a dúvida ou o comodismo.
----
E como saber ao certo?
Bem, discernir se é hora de resistir no lugar ou se é hora de sair do lugar é questão de sabedoria. E ela vem com uma boa dose de experiência de vida: um acúmulo mais ou menos equilibrado de erros e acertos.
Mas não é verdade que às vezes a virtude está em não se submeter? A aceitação das provações é tão gloriosa quanto a não aceitação de injustiças. E não seria uma injustiça permanecer em condições que não conferem com o que diz nosso coração? Há momentos em que intuímos que não devemos ficar onde estamos.É ou não é, que durante a vida uma voz interna às vezes sugere mudança?
Neste caso, acho que a fortaleza interior está mais relacionada à capacidade de decidir-se por mudar. E aceitar, claro, todas as consequências que podem vir daí... O compromisso tem de ser total.
Para mudar, é preciso grande força para resistir às tentações da acomodação, ao medo que leva à postergar, ao apego pelo passado. Resistir é, também, escolher quais adversidades enfrentar. Não podemos confundir a capacidade de sustentar uma posição com firmeza com a inércia, a dúvida ou o comodismo.
----
E como saber ao certo?
Bem, discernir se é hora de resistir no lugar ou se é hora de sair do lugar é questão de sabedoria. E ela vem com uma boa dose de experiência de vida: um acúmulo mais ou menos equilibrado de erros e acertos.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Gente Inteligente
É agradável estar acompanhado de gente inteligente.
A inteligência propicia assunto para conversas, estímulo para a generosidade e incentivo contra a mediocridade. Tornamo-nos melhores pela convivência com gente assim.
E pode acontecer em presença física. Pode ser pela interação no trabalho, na família, na universidade, entre amigos num evento social.
Pode acontecer à distância, como ao telefone, skype, whats up, ao assistir uma entrevista, documentário ou programa cultural.
E pode, ainda, se desenvolver no imaginário, quando é o caso de estarmos acompanhados de personagens de filmes (no cinema, em companhia de centenas de outras pessoas), na leitura de um bom livro, escutando a música predileta ou andando pelas ruas de uma cidade com história milenar...
À companhia de gente inteligente, eduzimos a nossa própria. E a evidência de que nós nos tornamos gente assim é a expressão de um comportamento pletórico de virtudes - coragem, humildade, solidariedade, justiça, amor, respeito, sinceridade, e tantas mais.
----
Sempre opte pela companhia dos bons. Essa era a dica de Sêneca, Cícero, e tantos outros. Num mundo aonde isso pode até ser raro, há que fugir do mal. E isso requer inteligência a toda hora. Precisamos, cada vez mais, de gente inteligente!
A inteligência propicia assunto para conversas, estímulo para a generosidade e incentivo contra a mediocridade. Tornamo-nos melhores pela convivência com gente assim.
E pode acontecer em presença física. Pode ser pela interação no trabalho, na família, na universidade, entre amigos num evento social.
Pode acontecer à distância, como ao telefone, skype, whats up, ao assistir uma entrevista, documentário ou programa cultural.
E pode, ainda, se desenvolver no imaginário, quando é o caso de estarmos acompanhados de personagens de filmes (no cinema, em companhia de centenas de outras pessoas), na leitura de um bom livro, escutando a música predileta ou andando pelas ruas de uma cidade com história milenar...
À companhia de gente inteligente, eduzimos a nossa própria. E a evidência de que nós nos tornamos gente assim é a expressão de um comportamento pletórico de virtudes - coragem, humildade, solidariedade, justiça, amor, respeito, sinceridade, e tantas mais.
----
Sempre opte pela companhia dos bons. Essa era a dica de Sêneca, Cícero, e tantos outros. Num mundo aonde isso pode até ser raro, há que fugir do mal. E isso requer inteligência a toda hora. Precisamos, cada vez mais, de gente inteligente!
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Primus inter pares
Liderar profissionais do conhecimento é um desafio complexo. Advogados, arquitetos, contadores, engenheiros, analistas de software e demais profissionais de TI, publicitários, médicos, educadores, entre tantos trabalhadores da moderna economia da informação, compõem grupos cuja liderança se estabelece muito além das nomenclaturas de cargo e organograma.
Há autores, como a inglesa Laura Empson, da Cass University, que fizeram estudos bem detalhados sobre como são as relações entre os profissionais em um escritório. Ela, com seu conceito de "constelação" sugere que há muitas "estrelas" envolvidas. E é assim mesmo, pois com ou sem arrogância, a verdade é que estes indivíduos ostentam competências super especializadas. São, portanto, as estrelas do negócio.
Já em Aligning the Stars, Tierney e Lorsch mostram essa inevitável condição, onde essas estrelas precisam estar alinhadas entre si, com os objetivos do escritório e as necessidades dos clientes. Não é fácil alinhar profissionais cuja criatividade, autonomia e auto-suficiência conformam suas principais qualidades...
Maister, o guru dos professional services em seu livro First Among Equals (primeiro entre iguais) dá uma dica fantástica: para liderar profissionais do conhecimento há que ser uma referência moral entre eles. Mais colegas do que subordinados, o líder influencia por ser um modelo a ser seguido e deve evitar utilizar o seu cargo de chefia (se é que o tenha) como argumento para coordenar a equipe.
----
Extrapolando este assunto para a vida em sociedade, não seria bom se todos nós tentássemos ser um modelo moral e uma referência de princípios e de virtudes para nossos amigos, familiares e colegas? Ao invés de ostentar cargos, dinheiro, posses e objetos, poderíamos ostentar a bondade, a beleza interior e a fortaleza ética. Isso seria bem aceito, penso, entre as outras estrelas... Afinal, somos todos capazes de brilhar, todos temos um potencial especial. Que tal dar exemplo de que isso é possível?
Este é um desafio para você, líder: seja o primus inter pares.
Há autores, como a inglesa Laura Empson, da Cass University, que fizeram estudos bem detalhados sobre como são as relações entre os profissionais em um escritório. Ela, com seu conceito de "constelação" sugere que há muitas "estrelas" envolvidas. E é assim mesmo, pois com ou sem arrogância, a verdade é que estes indivíduos ostentam competências super especializadas. São, portanto, as estrelas do negócio.
Já em Aligning the Stars, Tierney e Lorsch mostram essa inevitável condição, onde essas estrelas precisam estar alinhadas entre si, com os objetivos do escritório e as necessidades dos clientes. Não é fácil alinhar profissionais cuja criatividade, autonomia e auto-suficiência conformam suas principais qualidades...
Maister, o guru dos professional services em seu livro First Among Equals (primeiro entre iguais) dá uma dica fantástica: para liderar profissionais do conhecimento há que ser uma referência moral entre eles. Mais colegas do que subordinados, o líder influencia por ser um modelo a ser seguido e deve evitar utilizar o seu cargo de chefia (se é que o tenha) como argumento para coordenar a equipe.
----
Extrapolando este assunto para a vida em sociedade, não seria bom se todos nós tentássemos ser um modelo moral e uma referência de princípios e de virtudes para nossos amigos, familiares e colegas? Ao invés de ostentar cargos, dinheiro, posses e objetos, poderíamos ostentar a bondade, a beleza interior e a fortaleza ética. Isso seria bem aceito, penso, entre as outras estrelas... Afinal, somos todos capazes de brilhar, todos temos um potencial especial. Que tal dar exemplo de que isso é possível?
Este é um desafio para você, líder: seja o primus inter pares.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Amador e profissional...
No excelente livro de Steven Pressfield, "Guerra da Arte", onde ele descreve a luta contra a resistência - a inércia, o medo, a preguiça - para que o sujeito conquiste o status de verdadeiro profissional, há uma passagem em em que Pressfield diz que um amador não ama o suficiente seu ofício. Profissionalizar-se-ia, se realmente tivesse a paixão toda...
A palavra amador indica aquele que ama, mas é certo que gostamos das coisas com maior ou menor intensidade, dependendo de muitos fatores. A motivação subjacente àquilo que nos dedicamos é por vezes suficiente para termos um hobby, mas menor que a necessária para levarmos tão à sério e querer fazer disso um trabalho total. Também temos de considerar que há situações em que o hobby vai crescendo em importância, até que se converte em atividade remunerada. Há ainda a possibilidade de permanecer sempre como uma forma de contra-ritmo do estressante cotidiano. Não vejo problema nisso.
O amadorismo pode também ser associado à incompetência, às vezes sendo utilizado para descrever uma atitude de negligência, falta de know-how ou qualquer tipo de limitação. Neste contexto, não é o que se pretende, imagino, nem mesmo para um hobby... Queremos fazer as coisas bem feitas, ainda mais quando fazemos por gosto, sem pressão ou cobrança alguma. A compulsoriedade atrapalha a qualidade. A livre vontade para escolher ao que se dedicar, viabiliza muitas coisas, como a criatividade, a experimentação, o aprendizado.
Mas é claro que os líderes devem profissionalizar-se em algo. Como poderia adquirir autoridade moral para influenciar, orientar, dirigir e coordenar pessoas sem esse status? Tem que ser sério, para ser exemplo, referência e portanto um modelo acessível para outros. Os liderados, os bons liderados, não seguem amadores.
Assim, antes mesmo de querer liderar e gerenciar times de trabalho, é fundamental conquistar esta condição pessoal de alguém que domina um assunto, que conhece certas coisas a fundo e que pode servir de referência para aqueles que querem aprender.
----
Tornar-se um profissional exige tempo, experiência, estudo, reflexão, e um monte de outras coisas... Exige antes de mais nada, querer muito. E querer muito é o mesmo que amar muito. De amador, se converte em profissional.
A palavra amador indica aquele que ama, mas é certo que gostamos das coisas com maior ou menor intensidade, dependendo de muitos fatores. A motivação subjacente àquilo que nos dedicamos é por vezes suficiente para termos um hobby, mas menor que a necessária para levarmos tão à sério e querer fazer disso um trabalho total. Também temos de considerar que há situações em que o hobby vai crescendo em importância, até que se converte em atividade remunerada. Há ainda a possibilidade de permanecer sempre como uma forma de contra-ritmo do estressante cotidiano. Não vejo problema nisso.
O amadorismo pode também ser associado à incompetência, às vezes sendo utilizado para descrever uma atitude de negligência, falta de know-how ou qualquer tipo de limitação. Neste contexto, não é o que se pretende, imagino, nem mesmo para um hobby... Queremos fazer as coisas bem feitas, ainda mais quando fazemos por gosto, sem pressão ou cobrança alguma. A compulsoriedade atrapalha a qualidade. A livre vontade para escolher ao que se dedicar, viabiliza muitas coisas, como a criatividade, a experimentação, o aprendizado.
Mas é claro que os líderes devem profissionalizar-se em algo. Como poderia adquirir autoridade moral para influenciar, orientar, dirigir e coordenar pessoas sem esse status? Tem que ser sério, para ser exemplo, referência e portanto um modelo acessível para outros. Os liderados, os bons liderados, não seguem amadores.
Assim, antes mesmo de querer liderar e gerenciar times de trabalho, é fundamental conquistar esta condição pessoal de alguém que domina um assunto, que conhece certas coisas a fundo e que pode servir de referência para aqueles que querem aprender.
----
Tornar-se um profissional exige tempo, experiência, estudo, reflexão, e um monte de outras coisas... Exige antes de mais nada, querer muito. E querer muito é o mesmo que amar muito. De amador, se converte em profissional.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Como lidar com a tristeza
Parece que o consumo de anti-depressivos dobrou nesta última década. E ainda que alguns pacientes tenham prescrição médica adequada para este tipo de droga, parece-me que vivemos um momento em que as pessoas não sabem lidar com suas emoções, sobretudo com a tristeza. Vejamos...
Há algum momento na história da humanidade em que o homem não tenha tido experiências de tristeza? É possível que alguém viva a vida sem sentir-se triste? Seria a tristeza algo de todo ruim, sem valor existencial ou sem utilidade para o desenvolvimento de nossas identidades? A tristeza deve ser sempre interpretada como oposto da felicidade? Ou seria, às vezes, um modo de reconhecer limites e defeitos e até uma forma de catarse e melhoria interior? Será possível indivíduos poderem viver sem resistência a momentos difíceis e, portanto, tristes? Não seriam as gerações atuais menos resilientes?
A sociedade contemporânea está doente, se estiver certo o dado de que quase 50% da população deveria ingerir anti-depressivos. E qual é o remédio para a doença? O anti-depressivo (solução paliativa) ou uma solução de causa, capaz de eliminar a necessidade da droga?
Para lidar com a tristeza talvez seja necessário um pouco da velha fortaleza interior, tão comum nos textos (e nas biografias) dos filósofos estóicos. Sêneca, falando sobre a brevidade da vida, a tranquilidade da alma, a felicidade, etc., é muito mais prático e muito mais belo do que as tarjas dos alopáticos modernos...
----
Parafraseando o título de Lou Marinoff que diz "mais Platão e menos Prozac", não seria de sugerirmos "mais Sêneca e menos anti-depressivo"?
Os remédios são validados pelas universidades e pelos laboratórios? Sim, mas a filosofia perene é validade pelo tempo. Muito mais categórico.
Há algum momento na história da humanidade em que o homem não tenha tido experiências de tristeza? É possível que alguém viva a vida sem sentir-se triste? Seria a tristeza algo de todo ruim, sem valor existencial ou sem utilidade para o desenvolvimento de nossas identidades? A tristeza deve ser sempre interpretada como oposto da felicidade? Ou seria, às vezes, um modo de reconhecer limites e defeitos e até uma forma de catarse e melhoria interior? Será possível indivíduos poderem viver sem resistência a momentos difíceis e, portanto, tristes? Não seriam as gerações atuais menos resilientes?
A sociedade contemporânea está doente, se estiver certo o dado de que quase 50% da população deveria ingerir anti-depressivos. E qual é o remédio para a doença? O anti-depressivo (solução paliativa) ou uma solução de causa, capaz de eliminar a necessidade da droga?
Para lidar com a tristeza talvez seja necessário um pouco da velha fortaleza interior, tão comum nos textos (e nas biografias) dos filósofos estóicos. Sêneca, falando sobre a brevidade da vida, a tranquilidade da alma, a felicidade, etc., é muito mais prático e muito mais belo do que as tarjas dos alopáticos modernos...
----
Parafraseando o título de Lou Marinoff que diz "mais Platão e menos Prozac", não seria de sugerirmos "mais Sêneca e menos anti-depressivo"?
Os remédios são validados pelas universidades e pelos laboratórios? Sim, mas a filosofia perene é validade pelo tempo. Muito mais categórico.
Assinar:
Postagens (Atom)