Não se pode desenvolver uma boa imagem profissional dissociada de uma autêntica identidade profissional.
Os antigos gregos usavam um binômio para explicar isso: ETHOS-ESTETHOS. Daí podemos compreender a relação entre ética e estética, ou entre o Bem e o Belo. Filosoficamente são duas idéias (ou arquétipos) associados pela sua própria ontologia, são como dois seres irmãos. Um é interno, outro é externo.
Assim, um líder que quer ganhar projeção na empresa precisa entender que isso é bem difícil se não estiver, primeiro, dedicado a desenvolver uma sólida base de competências e de caráter. Além de difícil, é perigoso. Se não der certo, melhor. Se der certo, terá um problemão: sustentar uma imagem artificial, perante as pessoas, perante a organização, perante si mesmo.
Dito isso, partindo do pressuposto de que está assimilado modelo binário de Identidade-Imagem, seguem algumas recomendações:
- é necessário não só saber das coisas, mas também expressar isso. Ou seja, é preciso comunicar-se e compartilhar. O isolamento não ajuda em nada (mesmo pensando para si mesmo que sabe que os outros...);
- como estratégia de marketing pessoal, procure deixar claro o seu diferencial. É certo que todos temos várias habilidades e conhecimentos, mas as pessoas não guardam nas suas mentes imagens complexas... Assim, é preciso facilitar o processo, construindo uma marca pessoal baseada em duas ou três características principais. Você se destaca em negociação? É imbatível na análise financeira? É o melhor da empresa em orientar e dar feedback? É desatacado como gerente de projetos? É capaz de resolver mil pequenos problemas ao mesmo tempo?
- definido isso, seja corajoso e busque desafios coerentes com suas competências principais. Exponha-se! Procure "sarna para se coçar"...
- e paciência: acumule, ao longo do tempo, fatos bem concretos que sustentem seus diferenciais. Isso é o verdadeiro currículo. Daí pode então pensar em ganhar projeção.
O resto vai depender da organização em que você está, do setor, do estágio de maturidade da empresa, de como estão indo os negócios, etc. Mas isso é outra história, fica para outro post.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
Assumi um cargo de chefia...
Apesar de que o nome do cargo não é indicativo (nem garantia) de que se está a liderar, é certo que na maioria dos casos a carreira do líder começa a ganhar forma quando é promovido a uma função explícita de chefia. Pode ser supervisor, coordenador, líder técnico, gerente, ou outro nome; o fato é que isso demarca, para muitos, um episódio e tanto na estrada profissional.
Algumas dicas para os primeiros 90 dias, então:
- em primeiríssimo lugar: faça o feijão-com-arroz. A inovação tem valor, mas primeiro conheça o terreno e comece a construir autoridade (pois ela não vem do cargo!);
- segundo, continua focado em acumular autoridade (moral!) a partir de dois principais pilares: conhecimento técnico e trabalho, muito trabalho.
- siga dando o exemplo sempre, encarnando o axioma confuciano de que o líder é aquele que vai à frente, mostrando como se faz. A coragem, a iniciativa, a disciplina vão ser úteis para conseguir a adesão dos integrantes da equipe;
- agora algo fundamental: conheça seu time! Em profundidade, o que significa que você vai ter de dedicar tempo e energia para conversar e entender o ponto de vista particular de cada um.
- desenvolva, paulatinamente, uma agenda coletiva para administrar o tempo e dar ritmo de trabalho.
- crie uma "mitologia de grupo", isto é, defina metas e uma visão de futuro inspiradora, baseada em valores humanos e em desafios que sejam atingíveis mas, sobretudo, estimulantes.
- por fim, seja você mesmo! Jamais tente ser algo que não está de acordo à sua íntima natureza. Liderança tem a ver com autenticidade.
Essas são as dicas para os primeiros 90 dias. Depois desses três meses, com certeza já vai estar ambientado e então poderá inovar, propor mudanças, ousar, etc.
Boa sorte!!
Algumas dicas para os primeiros 90 dias, então:
- em primeiríssimo lugar: faça o feijão-com-arroz. A inovação tem valor, mas primeiro conheça o terreno e comece a construir autoridade (pois ela não vem do cargo!);
- segundo, continua focado em acumular autoridade (moral!) a partir de dois principais pilares: conhecimento técnico e trabalho, muito trabalho.
- siga dando o exemplo sempre, encarnando o axioma confuciano de que o líder é aquele que vai à frente, mostrando como se faz. A coragem, a iniciativa, a disciplina vão ser úteis para conseguir a adesão dos integrantes da equipe;
- agora algo fundamental: conheça seu time! Em profundidade, o que significa que você vai ter de dedicar tempo e energia para conversar e entender o ponto de vista particular de cada um.
- desenvolva, paulatinamente, uma agenda coletiva para administrar o tempo e dar ritmo de trabalho.
- crie uma "mitologia de grupo", isto é, defina metas e uma visão de futuro inspiradora, baseada em valores humanos e em desafios que sejam atingíveis mas, sobretudo, estimulantes.
- por fim, seja você mesmo! Jamais tente ser algo que não está de acordo à sua íntima natureza. Liderança tem a ver com autenticidade.
Essas são as dicas para os primeiros 90 dias. Depois desses três meses, com certeza já vai estar ambientado e então poderá inovar, propor mudanças, ousar, etc.
Boa sorte!!
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Teorias de Liderança - onde está a verdade?
Teoria vem do grego e significa uma visão sobre as coisas. Assim, uma teoria é útil quando oferece uma visão clara sobre um assunto. Não precisa ser total e completa. Se ajuda a compreender já serve como uma boa teoria.
As teorias de liderança abundam em livrarias com nomes de autores de diversos lugares e momentos da história. Nenhuma delas é completa, mas elas todos, no seu conjunto, são muito úteis para compreender o fenômeno da liderança.
Somam-se contribuições da história, antropologia, psicanálise, psicologia, sociologia, ciência política, administração, biologia, entre tantas áreas do conhecimento que permitem ver o indivíduo e as relações humana através das suas particulares lentes. Os líderes podem se apropriar dessas visões para expandir a sua própria. Pois a verdade nunca será encontrada pelos olhos alheios. Na realidade, a verdade está dentro de cada um, na medida em que pode constatar, pelas suas vivências e pelo seu entendimento, como funcionam as coisas. Claro que não será a verdade absoluta... Mas já serve. E a prova disso não estará em novas teorias, mas na prática do dia-a-dia, dando o exemplo, constatando por si mesmo que é verdadeiro e que é falso. O exercício consciente dessas verdades próprias de cada um confere veracidade ao deixar seus rastros na história. Por fim, é o tempo quem aprova ou desaprova.
----
Pergunto: em base ao teste do tempo, não seriam Platão e Confúcio mais verazes que muitos autores que não vêem suas teorias sobreviverem? Não seria a visão clássica a mais atual de todas? Não estaria a verdade mais próxima das visões desses filósofos do que do intelectualismo enfadonho de tantos modernos "pensadores"? Qual é a sua visão sobre tudo isso?
As teorias de liderança abundam em livrarias com nomes de autores de diversos lugares e momentos da história. Nenhuma delas é completa, mas elas todos, no seu conjunto, são muito úteis para compreender o fenômeno da liderança.
Somam-se contribuições da história, antropologia, psicanálise, psicologia, sociologia, ciência política, administração, biologia, entre tantas áreas do conhecimento que permitem ver o indivíduo e as relações humana através das suas particulares lentes. Os líderes podem se apropriar dessas visões para expandir a sua própria. Pois a verdade nunca será encontrada pelos olhos alheios. Na realidade, a verdade está dentro de cada um, na medida em que pode constatar, pelas suas vivências e pelo seu entendimento, como funcionam as coisas. Claro que não será a verdade absoluta... Mas já serve. E a prova disso não estará em novas teorias, mas na prática do dia-a-dia, dando o exemplo, constatando por si mesmo que é verdadeiro e que é falso. O exercício consciente dessas verdades próprias de cada um confere veracidade ao deixar seus rastros na história. Por fim, é o tempo quem aprova ou desaprova.
----
Pergunto: em base ao teste do tempo, não seriam Platão e Confúcio mais verazes que muitos autores que não vêem suas teorias sobreviverem? Não seria a visão clássica a mais atual de todas? Não estaria a verdade mais próxima das visões desses filósofos do que do intelectualismo enfadonho de tantos modernos "pensadores"? Qual é a sua visão sobre tudo isso?
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Estratégia e Execução
Essa comum dicotomia talvez não exista na prática.
A formulação ou concepção da estratégia como tarefa mental isolada não é real... O dia-a-dia de um líder integra necessariamente o pensamento abstrato e o concreto de tal modo que não é fácil discernir quando se está elaborando e quando se está acompanhando a execução da estratégia. Ou seja, na prática gerencial, seja no alto escalão ou no comando de uma célula no chão-de-fábrica, as coisas andam tão juntas que a teoria convencional das escolas de administração torna-se alienante....
Cynthia Montgomery, no simpático livrinho "O Estrategista", tem uma frase admirável a esse respeito: "Muitas pessoas acreditam que o trabalho principal do estrategista é pensar. Não é. A tarefa número um é definir um programa e tornar a empresa capaz de executá-lo".
Assim, uma referência para sabermos se estamos atuando como estrategistas é a integração das ações e do acompanhamento das ações da equipe com a visão abstrata. Talvez a palavra seja COERÊNCIA estratégica, como alguns autores têm usado. Essa coerência exige um esforço de liderança tremendo, pois é muito fácil o sistema todo se desarranjar...
A formulação ou concepção da estratégia como tarefa mental isolada não é real... O dia-a-dia de um líder integra necessariamente o pensamento abstrato e o concreto de tal modo que não é fácil discernir quando se está elaborando e quando se está acompanhando a execução da estratégia. Ou seja, na prática gerencial, seja no alto escalão ou no comando de uma célula no chão-de-fábrica, as coisas andam tão juntas que a teoria convencional das escolas de administração torna-se alienante....
Cynthia Montgomery, no simpático livrinho "O Estrategista", tem uma frase admirável a esse respeito: "Muitas pessoas acreditam que o trabalho principal do estrategista é pensar. Não é. A tarefa número um é definir um programa e tornar a empresa capaz de executá-lo".
Assim, uma referência para sabermos se estamos atuando como estrategistas é a integração das ações e do acompanhamento das ações da equipe com a visão abstrata. Talvez a palavra seja COERÊNCIA estratégica, como alguns autores têm usado. Essa coerência exige um esforço de liderança tremendo, pois é muito fácil o sistema todo se desarranjar...
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Ritmos e Contra-ritmos
Um desafio do dia-a-dia para qualquer profissional é manter-se ativo o tempo todo. Pode ser até que estejamos "no trabalho", mas não necessariamente "produzindo". O desempenho individual depende de muita concentração, atenção e a preservação de uma dinâmica constante, apesar das variações próprias do ritmo do dia.
Uma dica: há que desenvolver uma habilidade de atuar com ritmos e contra-ritmos. Isso aprendi nas artes marciais... No treinamento é impossível manter a mesma carga ou exercício durante várias horas. No entanto, é plenamente possível variar os exercícios. Assim, enquanto um músculo descansa, podemos utilizar outros... Analogamente, podemos variar o uso dos neurônios...
Assim, depois de 3 horas na tela do notebook, pode-se aproveitar para pôr os papéis em ordem (alguma ordem!); depois disso, dá para retornar ligações; depois, fazer aquela reunião na empresa; depois, vamos para o cliente; depois, voltamos para o computador; e assim por diante. Fica mais fácil manter-se em alta intensidade de trabalho variando as tarefas, com ritmos e contra-ritmos.
Fica a dica.
Uma dica: há que desenvolver uma habilidade de atuar com ritmos e contra-ritmos. Isso aprendi nas artes marciais... No treinamento é impossível manter a mesma carga ou exercício durante várias horas. No entanto, é plenamente possível variar os exercícios. Assim, enquanto um músculo descansa, podemos utilizar outros... Analogamente, podemos variar o uso dos neurônios...
Assim, depois de 3 horas na tela do notebook, pode-se aproveitar para pôr os papéis em ordem (alguma ordem!); depois disso, dá para retornar ligações; depois, fazer aquela reunião na empresa; depois, vamos para o cliente; depois, voltamos para o computador; e assim por diante. Fica mais fácil manter-se em alta intensidade de trabalho variando as tarefas, com ritmos e contra-ritmos.
Fica a dica.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Encontrando a si mesmo
Encontrando Forrester é um dos melhores filmes que já assisti. Nele, Sean Connery, em atuação impecável - para variar - é um escritor que estava em seu ostracismo voluntário quando um jovem escritor (ou que queria ser escritor) encontra-o. Numas das mais belas passagens do filme, pela sua singeleza, o rapaz pergunta-o o que deveria fazer para aprender a escrever. Forrester, o velho escritor, reponde-lhe: escreva, simplesmente escreva.
Encontrar a si mesmo deve ser um exercício assim. Protagonizado por cada um de nós, exercitando nossos talentos e trazendo à tona, pelo esforço e pelo trabalho, o melhor de nós. E só há um jeito mesmo de fazer isso: atuando, expressando-se, escrevendo, como na metáfora do escritor.
Assim, atue, expresse-se, escreva. Seja você mesmo. Mais e mais.
Encontre-se, saia do ostracismo - voluntário ou não.
Dê ao mundo o que o mundo espero de você...
Encontrar a si mesmo deve ser um exercício assim. Protagonizado por cada um de nós, exercitando nossos talentos e trazendo à tona, pelo esforço e pelo trabalho, o melhor de nós. E só há um jeito mesmo de fazer isso: atuando, expressando-se, escrevendo, como na metáfora do escritor.
Assim, atue, expresse-se, escreva. Seja você mesmo. Mais e mais.
Encontre-se, saia do ostracismo - voluntário ou não.
Dê ao mundo o que o mundo espero de você...
Ativismo social muda o mundo?
Não creio que haja tanta diferença entre as multidões que se reúnem hoje - a partir das redes sociais da internet ou através de qualquer outro meio - para fazer passeatas e tudo o mais e as gentes francesas revolucionárias... sejam as do final do século XIX, sejam as de maio de 68.
A verdade é que esses episódios derramam lágrimas (e às vezes sangue) e promovem rupturas violentas cuja duração é muito questionável. Vejamos:
- logo após a Revolução Francesa, voltam os Luíses ao trono.
- logo após Maio de 68, os estudantes voltam para as universidades ler os mesmos livros.
- logo após o Impeachment, no Brasil, a geração "cara pintada" volta a envergonhar-se com a corrupção no país.
- logo após qualquer movimento de massa, perguntamo-nos: isso realmente muda o mundo?
Com internet e redes sociais, pode ser ainda mais estranho, dada a alienação típica desse pessoal que vive uma vida virtual por excelência.
Talvez o ativismo social tenha uma participação na formação das sociedades e até da subjetividade de cada indivíduo que dele participa, mas não creio que isso possa mudar o mundo. A história mostra que essas movimentações ocultam mais do que mostram as verdadeiras forças que orientam as massas.
Portanto, que tal deixar de ser massa?!
O indivíduo consciente, que, antes de tudo se esforça por mudar a si mesmo, esse é o verdadeiro ator da história. Seja liderando, seja seguindo. Já não importa, pois está fazendo suas escolhas. E elas, pelo menos para ele, podem ser duradouras.
A verdade é que esses episódios derramam lágrimas (e às vezes sangue) e promovem rupturas violentas cuja duração é muito questionável. Vejamos:
- logo após a Revolução Francesa, voltam os Luíses ao trono.
- logo após Maio de 68, os estudantes voltam para as universidades ler os mesmos livros.
- logo após o Impeachment, no Brasil, a geração "cara pintada" volta a envergonhar-se com a corrupção no país.
- logo após qualquer movimento de massa, perguntamo-nos: isso realmente muda o mundo?
Com internet e redes sociais, pode ser ainda mais estranho, dada a alienação típica desse pessoal que vive uma vida virtual por excelência.
Talvez o ativismo social tenha uma participação na formação das sociedades e até da subjetividade de cada indivíduo que dele participa, mas não creio que isso possa mudar o mundo. A história mostra que essas movimentações ocultam mais do que mostram as verdadeiras forças que orientam as massas.
Portanto, que tal deixar de ser massa?!
O indivíduo consciente, que, antes de tudo se esforça por mudar a si mesmo, esse é o verdadeiro ator da história. Seja liderando, seja seguindo. Já não importa, pois está fazendo suas escolhas. E elas, pelo menos para ele, podem ser duradouras.
Assinar:
Postagens (Atom)