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quinta-feira, 15 de março de 2012

A Cidade de Alexandria

Dizem que quando um filósofo, educador, gramático ou erudito chegava à cidade de Alexandria, era só avisar que vinha para ensinar que ganhava uma casa. Passava a ditar classes neste lugar que agora era espaço público. Abria-se mais uma porta em honra à filosofia e a ciência.
Como chegou a ser assim uma cidade dessas?
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Alexandre sonhou com Homero um dia. O sábio grego apontava, no sonho, um local às margens do mediterrâneo e sorria ao herói macedônio. Acordou e viu Alexandre o lugar no delta do Nilo, no Egito. Não era um sonho. Mas uma inspiração. Nascia ali, daquela semente, a futura árvore de cultura que se estenderia até os últimos dias do império romano.
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Ptolomeu Soter, o dirigente que se encarregara da cidade depois de Alexandre criou a famosa Biblioteca. Vieram já nesta data, século III a.c., milhares de homens e mulheres de cultura extraordinária. Movimentou-se a região em torno da busca da sabedoria. Construções, cópias de livros, artes, comércio e a gênese de uma das mais incríveis povoações de todos os tempos estava consolidada.
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Havia mais de uma biblioteca. Após o primeiro incêndio (pois foram 3 ao todo) fora construída uma biblioteca dita "auxiliar", no Serafeum, o templo de Seráfis. Este templo não era somente uma capela gigantesca, como uma grande catedral. Era uma universidade. Estudava-se ali matemática, astronomia, oratória, física, química, etc. Foi este o local da última resistência ao edito de Teodósio e toda a perseguição que sofreram os filósofos nos fins do decadente império romano. Ali estava, nesta época, Hipátia.
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Hipátia, iniciada nos Mistérios Egípcios, filha do grande filósofo Theon, foi emblema do martírio destes filósofos. Liderou um processo já quase sem esperanças de continuidade. Mas foi valente e enfrentou todos os fanáticos das seitas cristãs e judaicas que se confrontavam e confrontavam a todos. Morreu assassinada pelos cristãos em Deu sua vida pela Causa da cidade, que tinha começado com Alexandre.
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A Causa da cidade de Alexandria era a da matriz cultural e educacional que viabiliza o nascimento dos gênios, dos sábios, dos grandes líderes. Atravessou séculos. Está dentro de cada idealista e sonhador de hoje. Como trazer isso de volta ao mundo concreto? Esta pergunta é respondida por líderes. Pois não pensam, só. Fazem. Como Alexandre, que não pensou mas fez o que seu sonho com Homero indicava.
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há um bom artigo na wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandria

Fazer História

O filósofo e orador romano Cícero dizia que a História era do futuro, não do passado. Questionado, explicava que era a oportunidade de alguém ganhar existência a partir da aceitação e vivência do seu destino. Quando isso ocorria, vivendo conscientemente o seu destino, o indivíduo ganhava existência histórica. Do contrário, não.
Pergunta para reflexão: onde está o destino? Será um caminho que deve ser encontrado fora? Ou o destino representa simbolicamente o potencial de realização que temos e, neste caso, não precisa ser procurado fora. Está dentro! Tem de ser manifestado a partir de um movimento diário. A história nasce a cada dia assim.
Ganha-se existência histórica. Do contrário, não somos ninguém.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Leading


A obra de Henry Mintzberg – catedrático canadense, autor de diversos livros sobre gestão – é mesmo uma obra prima. Na sua área de especialidade, a natureza da gestão e do exercício gerencial, é um dos melhores.
Uso muito do conteúdo desenvolvido (e publicado) por Mintzberg nas minhas conferências e seminários. Uma vez que o cara é um Phd muito famoso, facilita minhas argumentações... cito frequentemente  ele, quando quero sustentar um ponto sobre o dia-a-dia prático de um gestor numa empresa. Uma de suas obras é intitulada Managing, ou seja, “Gerenciando”.
Minha especialidade é o exercício da liderança. Muitas vezes – ou sempre, como querem alguns estudiosos – a gestão e a liderança andam juntas. Assim, como tomado de um oportunismo qualquer, para fazer uso novamente da referência deste magistral pesquisador, intitulei este artigo de Leading, ou “Liderando”.
A natureza da liderança é tão complexa que os antigos tratavam-na a partir de Mitos. Do grego, o termo mythos, refere-se a toda uma estrutura de conhecimento cuja base cognitiva é a intuição, não o raciocínio. Este modo é necessário para poder abarcar toda a mensagem e viabilizar a comunicação dentro do contexto deste tema. Mais ou menos como o moderno Edgar Morin denomina de pensamento complexo, ou como alguns antropólogos chamam o imaginário humano caracterizado pelo símbolo (como significado e significante) e como Jung chamou inconsciente coletivo (habitado por arquétipos), se vamos tratar da liderança quanto à sua essência e natureza prática, do abstrato ao concreto, teremos de lançar mão de uma linguagem não convencional para o racionalismo e o materialismo científico. Comte já morreu, mas os seus cultores estão por toda parte...
A liderança é um mistério em sua essência, é uma evidência bem empírica como fenômeno das relações humanas. Junte duas ou mais pessoas e, logo, com o tempo, aparecerá um líder. Ou muitos. Não importa. É próprio do ser humano, quando em grupo, manifestar a liderança. Pelo líder ou pelos seguidores? Já não importa. É um fato. Assim de simples.
Mas na sua essência a liderança toca em atributos extremamente inquietantes. Pois que alguns se assustam com o fato de que podem até mesmo nascer (destes atributos bem treinados) líderes malvados... Liderança negativa é o eufemismo usual.
Não acredito nisso, pois para mim – assim como para os antigos filósofos – um dos atributos essenciais das lideranças é o Bem. Como Platão, penso que o arquétipo-pai é o Bem. Longe dele, aparece o mal, como fruto simplório da ignorância. É que a sabedoria, seu oposto, é também atributo de um líder! Platão intitulou de aristos, o mais virtuoso, o seu Guardião-líder, na sua clássica República.
Simbolizemos então.
  • Um líder é um sol que brilha, da vida, vive transbordando de si a energia que vitaliza o seu grupo. Poético, não?
  • Um líder é a ponta da lança, que abre espaço que o corpo que a compõe. É sempre o primeiro e o que garante a passagem. Muito militar?
  • Um líder é Jasão, que reúne diversos heróis na sua Nau para fazer história, recuperando o Velo de Ouro e cumprindo com sua missão perante os deuses. Muito religioso?
  • Um líder é um sujeito que colapsa as ondas e as torna partículas, pela sua mirada, pela sua atitude, definindo um contexto a partir de sua presença. Quântico?
  • Um líder é um jardineiro, que não aparece na paisagem das flores, mas que é o garantidor da beleza e pureza do jardim. Muito sensível?
  • Um líder é um líder. Um cara de alto nível, que por DETERMINAÇÃO própria, numa condição impetuosa desprovida das opiniões alheias; por CARINHO e atenção às pessoas que deve proteger e comandar; INTELIGENTEMENTE encontra soluções, suas, dos outros, com os demais (também isso não importa) para seguir no caminho. Tem bom coração, é preparado e dá o exemplo. As pessoas o seguem, não precisa de muito uso da autoridade de seu cargo (embora legítima). Apóia-se na autoridade moral, criada por si mesmo, pela sua biografia, percebida pelos demais mediante a convivência com ele.
De todas estas definições – mais ou menos míticas e simbólicas – tenho certeza de que podes, leitor amigo, compreender que é um líder. E se não compreendeu ainda... Atenção, podes estar  perdendo a oportunidade de seguir um. E, quem sabe, de se tornar um.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Que é Liderança?


Liderança é capacidade, possibilidade e provação.

Hoje posso definir liderança como uma CAPACIDADE. A palavra capacidade encerra a possibilidade de expansão e também diz que ela precisa estar ali, de modo latente, antes de se desenvolver. É uma capacidade totalmente humana, pelo seu potencial de realização. Entretanto, é uma capacidade totalmente universal, pelos seus predicados. Vejam que em toda a natureza há hierarquia... há lideranças que naturalmente surgem em colméias, matilhas, átomos e sistemas solares. A natureza é organizada com elementos que se arranjam em torno de um eixo, de uma referência. Algo parece sempre estar em evidência como um líder: um elemento que se destaca por sacrificar-se pelo conjunto. Vai à frente, e os demais o seguem. A liderança é uma capacidade inata em cada canto do espaço; está latente para ser desperta e organizar esteticamente este local do espaço; do contrário, não haveria estética, seria tudo confuso, desarmônico e sem direção. A liderança é uma necessidade da natureza. Na natureza só há líderes e liderados!

No caso dos grupos humanos, gosto de ver a liderança também como uma POSSIBILIDADE de evidenciar o Bem. Apesar dos maus exemplos - que não perpetuam como tal, pois com o tempo carecem de seguidores - sabemos que os grandes líderes do passado legaram uma esperança e um modo de acreditar e perseguir a bondade. A liderança se torna a possibilidade que temos de nos afirmarmos como pessoas boas na medida em que seguimos exemplos (Jesus, Buda, Platão, Confúcio) e de ainda gerar mais seguidores quando é o caso de nos transformamos em líderes. Influenciamos e somos influenciados.

Além de capacidade que se expressa como estética, possibilidade de acreditar e esforçar-se pelo bem, a liderança também é PROVA de que os sonhos existem e ganham nascimento no mundo. Nem todos realizam coisas. Mas há os que realizam. E estes, atraindo os olhares admirados dos demais, confirmam, comprovam a veracidade do poder de realização. Por isso considero a liderança um exercício humano por excelência. O ser humano tem sim dentro de si o poder de se realizar. Mas há que provar que o faz. Não é intelectual. É fático. Ou não é.

CAPACIDADE que se mostra na beleza. POSSIBILIDADE que se mostra pelo bem dos atos e a esperança de um mundo melhor. PROVA que atesta a validade de tudo isso, em evidências de vida e biografias.

Quem não segue um líder, segue o que? Se não se é líder e liderado, é-se o que?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Como Lidar com o Futuro


Há muitos anos aprendi com um filósofo como devemos lidar com o futuro. Compartilho agora estes ensinamentos, já que estamos no final do ano e sempre é momento oportuno para refletir sobre isso.
Nossos projetos são como imagens lançadas numa tela... a tela do futuro. E em cada imagem há um fio invisível que se liga em nós. Somos a causa e a sustentação destes sonhos. Estão ligados a nós e os alimentamos. Se os deixamos, morrem. Se os apreciamos, ganham vida e clareiam seus detalhes. Podemos, progressivamente, planejar seus detalhes operacionais e levar à ação o que nasceu na mente.
Não deveríamos “correr atrás” do futuro, pois ele está sempre vindo até nós. É mais uma questão de alinhar o comportamento com a imagem lançada na dita tela. O comportamento –desde que coerente com o projetado – atrai, por assim dizer, a imagem do futuro para sua realização no presente. Aquele fio invisível pode ser puxado para que se concretize o sonho. Assim ganha nascimento concreto.
Já que o futuro está sempre “vindo” – pois o amanhã vai chegar, é inexorável – a estratégia de atrair as imagens para sua concretização é inteligente e economiza energia. Para que ir atrás das coisas se estas podem vir até nós?
A chave dessa estratégia está radicada na conduta do dia-a-dia, pois a coerência necessária do comportamento com o projeto futuro será provada a cada momento do cotidiano. Serão provas de pensamento, sentimento e ação. Devemos, para aumentar a probabilidade do êxito, pensar com foco nas metas ambicionadas; motivar-se e sentir a alegria de estar vivendo por isso; e agir com pragmatismo e eficiência para que a imagem do futuro “encaixe” num recipiente bem elaborado.
Como lidar com o futuro? Afirmando-se no presente.
O que será do amanhã? Aquilo que estamos atraindo para nós no hoje.
Então, a quem pertence o futuro? Ao indivíduo que conscientemente o atrai de acordo ao que pensa, sente e faz no aqui e agora.
As coisas não são aleatórias. Nem por acaso. Como dizia Poincaré, filósofo e matemático francês: “o acaso é a medida da nossa ignorância”.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Brilho do Líder


Quando admiramos alguém, copiamos seus gestos, sua fala, suas idéias. Utilizamos sua experiência como material para nossa própria experiência futura, como plano de auto-capacitação.
Quando admiramos alguém – e talvez até mesmo guardemos por ele uma espécie de respeito, devoção e carinho – ganhamos o privilégio de conhecer um sentimento que não é massivo. É de poucos o advento desta emoção superior que nos impele a ir em frente, dar continuidade a uma obra.
Quando admiramos alguém, passamos a ver suas pegadas – que são as marcas concretas de seus sonhos – e nos oportunizamos a nós mesmos marcar com as nossas pegadas este chão da história.
Se tens medo de perder tua identidade ao fazer assim, não faça. Mas é certo que não a tenha descoberta ainda... Quem é autêntico, não teme admirar e seguir bons exemplos. Aliás, não são estes os modelos que preenchem as lacunas do molde que nós mesmos encontramos dentro e que correspondente à nossa individualidade?
O brilho do líder é um reflexo. É o reflexo que se pode ver naqueles que o seguem, por carinho, apoio e admiração. Está não no líder, mas nos seus liderados. O brilho do líder é o brilho que se vê no olhar daqueles que fazem dele um líder. Por isso lidera. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Música da Equipe


São conhecidas as associações do líder com um maestro.
Há os que preferem a associação com uma banda de jazz, visto que na orquestra as coisas podem parecer muito paradas e com pouca adaptação; eu gosto de jazz (Miles Davis, em especial), mas também escuto música erudita (neste caso, Mozart, sem dúvida).
Para além das preferências de metáfora – ou de gênero – podemos relacionar o trabalho de uma equipe bem coordenada com alguns elementos das canções, tais como: ritmo, melodia e harmonia.
O ritmo é a expressão dos intervalos de som e silêncio no tempo. Daí vem facilmente a imagem do compasso típico de batidas como o samba, onde a percussão define bem o ritmo. Numa equipe com ritmo, o líder consegue equilibrar tarefas e conversas, ações e reflexões, ritmos e também contra-ritmos. Às vezes há que fazer um esforço acima do normal e a liderança precisa conseguir isso de seu time. Às vezes pode-se relaxar e resgatar lições aprendidas. Planejar, executar e replanejar e agir novamente. Tudo num compasso ritmado. Som e silêncio.
A melodia é o “desenho” da música e uma equipe em atuação também tem o seu estilo, seu design, sua maneira de fazer as coisas. A cultura do grupo é de um valor inestimável para o líder. É aí que se encontram valores, competências distintivas, procedimentos experimentados com o tempo e conhecimento adquirido pelas diversas provações do dia-a-dia. Direcionar a cultura organizacional é desenhar na história da empresa um rastro único. E uma equipe com melodia pode ser percebida bem de imediato. É como ouvir apenas algumas notas da música e já reconhecê-la.
E a harmonia é a complexa trama de arranjos instrumentais que deixa hipnotizado o ouvido treinado para percebê-la. Assim como alguns se deliciam ao escutar uma ária de Bach ou uma forma progressiva à lá Pink Floyd, para o líder experiente a harmonia de um grupo de trabalho harmonizado é música. É beleza. É genial!
E como saber se sua equipe toca boa música? Fique tranqüilo, todos da empresa vão escutar e ficar encantados. Talvez até balancem o pé ao seu ritmo, embaixo da mesa. Talvez se movimentem pela empresa copiando sua melodia como num assovio. Talvez se harmonizem junto com seu grupo ou até mesmo numa sala de reunião o mirem hipnotizados.  E lembre-se: não importa se Miles, Mozart ou Chico Buarque. Boa música é boa música.